quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dois aniversariantes completamente diferentes.

A gente tem feito muito banquete no restaurante esses últimos dias. Praticamente todo dia tem um. Já fizemos banquete para 50 pessoas, 30 e 22, algumas vezes, para um número mais reduzido.

Além dos banquetes, recebemos também muitas pessoas importantes, como o embaixador da Turquia, por exemplo, que veio jantar aqui na semana passada.

Quase sempre – para não dizer sempre – temos algum cliente comemorando aniversário.

Sempre tem cenas, momentos, que nos chamam mais atenção, como uma vez (já faz um bom tempo) que veio uma família americana e sentou à mesa 27. Na verdade, era o pai e três filhos, e eles fizeram uma prece antes da refeição. É difícil ver algo assim esses dias. Nem preciso dizer que meus olhos se encheram de lágrimas, né? Aqui estou mais emotiva que o normal!

O motivo desse texto, entretanto, não é a família americana sobre a qual comentei no parágrafo anterior, até porque isso já aconteceu faz tempo.

Comecei a escrever devido a um serviço que participei faz uma semana, na segunda-feira do dia 13 de junho. Cheguei até a comentar sobre isso com a Luci na terça-feira, no trem, quando estávamos indo a Strasbourg.

Havia três mesas comemorando aniversário, a 20A, a 22 e a 24. A 20A e a 22 eram da mesma família e formavam 14 pessoas ao todo, já a 24, era apenas uma pessoa. Isso mesmo, uma.

A aniversariante das mesas 20A e 22 era uma senhora, devia ter seus 70 anos, ela estava rodeada por toda a família e super feliz. O aniversariante da mesa 24 era um senhor, também nos seus 70 anos, com um bigode enorme, bem no estilo francês, daqueles que você pensa que só vê em desenho animado (o bigode fazia uma curvinha nas extremidades e tudo). Esse senhor estava sozinho, não sei nada sobre ele, se tem família ou não, mas sei que esse jantar, ele fez sozinho assim como também comemorou sozinho o seu aniversário.

Se eu dissesse que ele estava triste, seria mentira da minha parte, até porque ele parecia bem animado. Até o final da refeição dos dois aniversariantes, eu não estava tão focada neles, apesar de observá-los muito, mas foi quando chegaram ao fim, quando ambos receberam a plaqueta de aniversário, praticamente no mesmo tempo, que fiquei pensando sobre minha vida.

O senhor segurou a plaqueta dele e pediu para que alguém tirasse uma foto dele com ela. Isso me chamou atenção, quando ele revelar a foto, será só ele e uma plaqueta. Quando for a senhora revelando a foto, a plaqueta nem vai chamar tanta atenção, porque na foto ela está rodeada de gente.

Eu não julgo o fato de o senhor estar sozinho, até porque cada pessoa tem seu modo de viver a vida, enquanto uns preferem viver sem ninguém ao lado, sem família, outros se vêem mais felizes se tiverem pessoas ao seu redor. E não é porque alguém não tem família que também não terá amigos.

Fiquei pensando sobre o que tenho posto como prioridade na minha vida, se tudo o que planejo é realmente o que quero, se no final, quando já estiver idosa, poderei dizer que não me arrependo de nada do que fiz.

Algumas vezes fico pensando que se tomar certas opções, posso acabar ficando como esse senhor, comemorando meu aniversário de 70 anos sozinha, e me pergunto até que ponto seria feliz vivendo assim.

Eu já quis trabalhar pra ganhar muito dinheiro, agora quero trabalhar pra ganhar bem, bem o suficiente para poder viajar, aproveitar minha família e ter uma velhice segura. Hoje já não faço questão de ganhar rios de dinheiro, se sei que não vou poder aproveitá-lo da forma que gostaria, já que, para isso, terei que trabalhar 24 horas do dia, sete vezes por semana.

Já não quis ter filhos e pensei até em não casar, agora eu vejo tudo diferente. Não sei como será meu futuro, mas já coloquei nas mãos de Deus e sei que independente das minhas escolhas, sei que Ele estará comigo. E se um dia tiver que comemorar meu aniversário apenas com uma plaqueta, o fato de saber que Deus está ali ao meu lado será motivo suficiente para me considerar a pessoa mais feliz e agraciada do mundo. 

3 comentários:

  1. Impressionante como a cada dia vc me surpreende positivamente. Só queria lhe dizer que vale a pena casar sim. Ter filhos também (mesmo que dêem trabalho...e como dão! Esse trabalho faz parte do nosso crescimento); ganhar dinheiro é importante, pois sem ele pouco se faz. Agora, viver só (ou morrer?) para ganhar dinheiro é errado e torna as pessoas infelizes. O Bom é completar 70 anos (estou perto) arrodeado de parentes e amigos sob as bênçãos de Deus. Você vai chegar lá...é só questão de tempo. Continue firme e acreditando nas promessas de Jesus "Aquele que me confessar diante dos homens (vc faz isso)e o confessarei diante do Pai". Deus seja louvado e somente a Ele toda a honra.
    Do velho pai.

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  2. Emocionei-me muito lendo seu post. O bom mesmo é buscar equilíbrio em tudo, família, trabalho e em tudo servindo para a glória de Deus. Não é fácil, mas aproveite o tempo para crescer na graça e conhecimento de Jesus Cristo alimentando seu espírito para que em todas as circunstâncias, só ou rodeada de pessoas, viva uma vida que agrade a Deus! Te amo cada dia mais! Deus te abençoe!

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  3. Ângela M.M.Westarb24 de junho de 2011 18:13

    Querida Sara!!
    Sempre me emociono com vc!! Você é uma menina muito especial,dona de uma sensibilidade e de uma fé,rara nos dias de hoje(principalmente nesta idade).Entendo porquê vc e a ""Mary" se tornaram grandes amigas...Mil beijos!!!Que Deus lhe guarde sempre!!!

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