quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Férias 2011 - 1º dia: Montmartre


Acordei às 6h da manhã, já com tudo arrumadinho para pegar o táxi até Strasbourg e de lá pegar o trem para Paris. Eu e Alejandro pegamos o táxi juntos e demorou só uma hora para chegarmos à rodoviária.

O tempo passou super rápido, até porque conversamos um pouco com o André, taxista e cunhado do Mr. Kosher, e depois pegamos num sono e só fomos acordar na garagem da rodoviária de Strasbourg!

Eram 8h em ponto e como o nosso trem só saia às 9h17, resolvemos tomar um café e conversar um pouco até dar o horário certo para pegarmos o trem à Paris.

Graças a Deus foi tudo tranqüilo, até porque o trem era TGV, que é direto e não faz conexão em nenhuma outra cidade, sem contar que é de alta velocidade. Em duas horas e vinte chegamos em Paris e fui correndo pegar o táxi pra ir pro hotel fazer o check-in e ver a mami! Paguei super barato pelo táxi, 12 euros, fiquei tão feliz!

Quando cheguei no balcão da recepção, o recepcionista disse que não tinha nenhuma Gláucia hospedada no Ibis, hotel onde ficaremos hospedadas até o dia 4. Imagina a minha reação quando ele disse isso, né? Quase pirei! Daí dei o meu nome e sobrenome, mas ele disse que não tinha nenhuma reserva no meu nome também!

Ai, ai, ai... Tirei o meu passaporte do bolso e entreguei pra ele, pedi pra que copiasse meu nome e visse se realmente não tava o meu nome na lista dele. O coitado viu que eu já tava em tempo de começar a chorar ali. O meu maior desespero era pensar que minha mãe não tava lá, porque onde ela estaria, então?

Bueno, problema resolvido (nada como uma letra no lugar certo não resolva, afinal, meu sobrenome é CerQueira e não CerGueira), recebi minha chave e me dirigi ao elevador. Foi só virar as costas à recepção e ir apertar o botãozinho que a porta do elevador abriu e adivinha quem saiu de lá? A mamãe com a Bíblia na mão, porque ela tinha pensado em me esperar lá em baixo e ficar lendo enquanto isso.

Não consegui conter o choro! Abri meus abraços e me deixei ser abraçada. Sabe aquele abraço forte, carinhoso, familiar? Que saudade que sentia dele! Como é bom estar em família novamente! Mal posso esperar para receber esse mesmo abraço, mas do papai. Que vontade de abraçar o meu gostosão! 

Anyways, saímos do hotel às 15h para batermos perna um pouquinho. Fomos em direção à Boulevard de Clichy, que fica bem na esquina com a rua do Ibis, a Caulaincourt, para batermos uma foto em frente ao Moulin Rouge. Por sinal, acabei descobrindo um Subway na Boulevard, logo no início dela, bem aqui pertinho do hotel. Yummiii!

Em seguida fomos rumo à Rue Houdon e paramos na Place des Abbesses, que tem uma arquitetura art nouveau em praticamente todos os edifícios, até mesmo a Église St-Jean-de-Montmartre e a entrada do metrô foram projetadas nesse estilo.

Depois da foto, fomos direto ao lugar que mais nos interessava: Sacré-Coeur. Para chegar lá, passamos por ruelas lindas, fiquei me sentindo dentro daqueles filmes feitos na Europa, onde as ruazinhas, além de estreitas, são feitas de pedras arredondadas e ficam cheias de scooters, sem contar as mesinhas de bar sempre cheias de pessoas comendo, bebendo, conversando e curtindo suas vidas verdadeiramente parisienses! Ah, e não nos esqueçamos dos artistas de rua, sempre dando mais vida e alegria a esses lugares.

Bairro de Montmartre
A Sacré-Coeur foi projetada pelo arquiteto Paul Abadie em homenagem aos combatentes que morreram durante a Guerra Franco-Prussiana. Eu adoro a história dessa igreja, sua arquitetura, a vista extraordinária que ela nos proporciona de Paris e o espaço externo super tranqüilo que ela nos oferece para ler, descansar e conversar.

Na verdade, posso dizer que o Bairro de Montmartre como um todo me encanta. Todos os artistas de rua que encontro por lá sempre me fazem ficar com um sorriso de uma orelha a outra, sem contar todos os retratistas e caricaturistas que sempre fazem excelentes desenhos nossos. Fora isso, o fato de Montmartre ser um bairro de escritores, pintores e poetas faz com que ele transborde arte para todos os lados.

Basilique du Sacré-Coeur

Mamãe se acabando de rir da pobre criança
Para fechar o dia com chave de ouro, quando fui bater uma foto da mamãe em uma das várias escadarias da igreja, uma menininha que estava logo atrás dela levou uma queda hilariante, mas o que deixou o momento ainda mais engraçado foi a risada maquiavélica da mamãe. Ela fez com que o Coringa parecesse o ser mais inofensivo da face da terra.

Chegamos no hotel umas 16h, tomamos um banho e umas 19h30 saímos novamente para passear pelo bairro. Retornamos ao hotel, tomamos um expresso delicioso no lobby enquanto conversávamos e umas duas horas depois viemos ao quarto, onde continuamos a tricotar até bater o sono e irmos dormir!
Fim de tarde batendo perna pelo Bairro. Já eram
mais de 20h e ainda estava bem clarinho!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Só mais quatro dias!

Hoje já é sexta-feira. Só mais quatro dias e finalmente me encontro com a mamãe! Estou super empolgada para vê-la, principalmente porque, neste momento, passo por um momento de muita saudade de casa, da família, dos amigos e da igreja, da minha terra e cultura...

Às vezes acho que o único problema em a mamãe vir pra cá é o fato de ter que me despedir dela no dia 14 de setembro, quando as férias acabam.

Faz tanto tempo que estou longe da minha família, que acabo me acostumando um pouco a viver sozinha, mas nessas duas semanas vou reviver uma boa parte da vida que tinha no Brasil e isso me deixa um pouco amedrontada, porque vou relembrar o quanto é bom ter alguém que te ama e que tu ama verdadeiramente ao lado, e isso vai me fazer sentir sozinha e triste quando voltar das férias de duas semanas.

Espero que Deus me dê forças para conseguir me despedir e não sofrer tanto depois, porque sei que vai ser difícil.

Ontem estava terminando de programar todos os nossos passeios. Já tá tudo certinho: Paris, Château de Fontainebleau, Giverny, Champagne, Paris, Londres... Também aproveitei pra procurar no meu mapa de Paris os dois hotéis onde ficaremos hospedadas durante esses dias: um fica no Quartier Latin e o outro em Montmartre.

Vou postar cada passeio nosso nesse blog e bater foto de cada piscar de olho, assim vai ficar registrado pra sempre as melhores férias que terei tido até agora!

A mamãe nunca viajou pra fora do Brasil e nós duas nunca viajamos juntas, só nós duas, para passear, então vai ser um marco na nossa vida!

Mal posso esperar para ver a mamãe! Mas posso esperar bem muito o dia 14 – esse dia eu não faço questão que chegue muito cedo...

Ah, por sinal, já comecei a fazer a mala que vou entregar pra mamãe com tudo o que não vou mais usar aqui, assim já economizo peso pra quando voltar pra casa em janeiro.

Sabe... Acho que o que mais me deu uma nostalgia foi passar bem uma hora conversando com a mamãe no chat do facebook. Nunca pensei que ia rir tanto aqui no quarto sozinha. Que saudade de conversar com ela... Como eu amo os meus pais, como eles me fazem falta, como eu quero de novo um abraço deles, aquele abraço forte, que tu sabe que é sincero... Ai, que Deus me ajude nesses últimos meses...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma semana para eu rever a mamãe!


E lá se foi a segunda semana de estágio. Daqui a mais uma semaninha, o hotel e o restaurante fecham por duas semanas e vou correndo me encontrar com mamãe em Paris! Amanhã vou a Strasbourg e comprarei o bilhete de trem.

Essa semana no hotel foi ótima. Ontem eu finalmente consegui fazer todas as camas e ainda ajudar as meninas nos quartos sem cometer nenhuma besteira! Isso sim é o que eu chamo de fechar a semana com chave de ouro! Já tava começando a me perguntar se algum dia ia conseguir fazer meu trabalho sem cometer alguma bobeira...

Bom, o período da tarde foi ótimo. Acompanhei dois casais aos seus quartos (Cannelle e Aubergine). O primeiro era francês e expliquei tudo em francês; o segundo era alemão e expliquei todos os procedimentos em inglês. Engraçado que quando expliquei tudo em inglês, o senhor me agradeceu, mas em alemão, e eu, pela primeira vez, fiz uso das palavras em alemão que comecei a decorar, porque respondi “de nada” em alemão também!

Teve outro quarto, a Poivre, que o Salim pediu para que eu levasse as duas taças de champagne para o casal, que era americano. Quando conversei com eles, o senhor me perguntou se eu era americana!! Poxa, quando eu abro a boca pra falar francês, todo mundo percebe logo pelo meu sotaque que não sou daqui, mas fiquei tão feliz quando ele pensou que eu fosse americana por conta do meu inglês!

Como Deus tem sido maravilhoso comigo! Pra completar o dia, o Salim ainda me explicou sobre os vinhos da Alsácia, porque ele me viu anotando os vinhos que servimos no hotel. Por sinal, estou estudando as bebidas que oferecemos no hotel, dessa forma, caso precise oferecer algo aos clientes, saberei dizer tudo o que eles podem pedir e evitarei a vergonha de dizer: “um momento, vou chamar alguém para atendê-los”.

Hoje e amanhã é o nosso fim de semana, né... Hoje faremos as compras da semana, comme d’habitude. Amanhã vou a Strasbourg comprar a passagem pra Paris e aproveitar pra bater perna um pouco e pegar um cineminha.

Só mais uma semana e estarei nos braços da mamãe! Que maravilha!

domingo, 21 de agosto de 2011

Pegando a manha no trabalho!


Tenho um monte de coisa pra contar!

Ontem e hoje o Salim não está no hotel, porque ele vai se casar agora, antes das nossas férias, e precisa terminar os preparativos.

Tá, mas o que eu tinha pra contar não era sobre o casamento do Salim, isso foi mais uma explicação mesmo. O que quero contar aqui é a conseqüência dele não ter estado lá no hotel. Como o Salim sempre leva os clientes pros quartos, carrega as malas ou paletós, então eu nunca fiz isso, sempre ficava lá embaixo, caso algum outro hóspede chegasse.

Bueno... Ontem, adivinha quem levou um casal até o quarto? Eu!! Isso mesmo, levei um casal até o quarto deles e expliquei como tudo funcionava no hotel. Isso tudo em francês! Depois perguntei ainda se poderia oferecer uma taça de champagne e eles ficaram radiantes!

Tudo começou porque a Françoise, que trabalha nas reservas do restaurante e está substituindo o Salim nesses dois dias, teve que subir com outro casal para o quarto deles, então fiquei lá embaixo e a Madame Nicole também.

Quando o casal chegou, me ofereci para carregar as malas, mas nunca pensei que iria até o quarto sozinha. Na verdade, como a Madame estava lá, quis levar as malas para que ela não precisasse carregar o peso, mas jurava que ela ia junto para explicar tudo, já que eu nunca tinha feito isso antes. Só que quando ela me viu com as malas, ela me entregou a chave, sorriu e disse: “Je te laisse faire, Sara?”, que ao pé da letra significa “Eu te deixo fazer, Sara?”.

Eu não pensei duas vezes, disse logo que sim. No primeiro dia de estágio o Salim tinha me falado sobre as três coisas essenciais que precisavam ser explicadas aos clientes, e eu fiquei nervosa dentro do elevador, vendo se eu conseguia lembrar. Orei em três segundos e Deus, como ele é onisciente, já sabia de tudo o que eu precisava dentro dessa pequena oração.

Abri a porta do quarto, deixei que os clientes passassem, guardei as malas, expliquei tudo e ofereci o champagne.

Nossa, ontem de noite eu fiquei realmente radiante, porque fiz todas as minhas tarefas de forma independente. Tudo o que o Salim me ensinou, fiz. Servi os clientes, limpei as mesas, fiz as confitures, organizei os chocolates, preparei a mise en place do café da manhã, dobrei guardanapos, limpei os potes de açúcar... Lembrei de tudo! Tudo, tudo, tudo!

Como Deus foi bondoso comigo! Estava precisando de uma tarde assim, porque estava um pouco triste não apenas pelo meu peso, mas porque estava cometendo alguns erros bobos durante meu trabalho da manhã. Sempre tem alguma coisa que eu erro porque não sabia. O importante é que eu erre só na primeira vez, mas depois que já sei o que é certo e errado, é inaceitável que eu erre.

Graças a Deus, até agora, os erros que cometi foram todos porque ainda não sabia, mas nada repetido.

Por exemplo, agora eu sei que as fronhas com quadrados são usadas apenas para as camas de solteiro; que quando tem um recouche, ele passa a ser prioridade, ficando acima até mesmo da Vanille e da Cannelle, que são, normalmente, os dois quartos prioritários.

Pra completar toda a minha alegria, hoje as meninas me elogiaram pela primeira vez! A Magali, quando estávamos na Gingembre, disse que elas estavam me percebendo mais leve, mas calma, fazendo os quartos sem problema.

Depois disso, que já me fez ficar com um sorriso de uma orelha a outra, quando estávamos na Vanille, a Magali entrou (eu tinha acabado de aspirar tudo), aí disse: “Sara, agora nós vamos almoçar!”. Quando ela ia fazer as cortinas, eu já tinha feito tudo, aí ela perguntou se tinha sido eu e eu disse que sim. Ela sorriu e disse “uau, mas o que você tomou, hein?”.

Ai, Senhor, obrigada! Como eu estou radiante com essa ajuda que Ele tem me dado! Como Deus é maravilhoso comigo! Depois de uma semana, quase duas, dando duro pra conseguir fazer tudo direitinho, finalmente começo a pegar a manha.

Que Deus continue me auxiliando, me protegendo, me fazendo ser atenta a cada detalhe!

Ontem cheguei tão feliz em casa que até comecei a decorar umas palavras básicas em alemão para quando chegam alguns clientes lá. E hoje fiquei ainda mais positiva sobre a minha dieta, sentindo que vou conseguir emagrecer o que quero até a mamãe chegar aqui.

Bom, agora vou terminar de me arrumar para voltar ao hotel. Que Deus continue me carregando em seus braços! Amém!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Já estou diminuindo meu tempo!


E amanhã já é sábado! Hoje consegui diminuir meu tempo arrumando as camas. Pela primeira vez consegui ajudar as meninas com os banheiros dos quartos antes mesmo de irmos almoçar. Fiquei radiante com tudo isso, apesar de ter ficado um pouco perdida no início do dia. Hoje teve muito recouche, que ocorre quando um cliente fica mais de uma noite, e como nunca arrumei um quarto que fosse recouche antes, acabei fazendo umas bobagens, mas tudo bem. No final deu tudo certo que às 12h45 estava ajudando as meninas.

Fora isso, toda quinta-feira coloco comida pros coelhos e ontem descobri que o que colocava para eles pensando que era comida não era bem a comida deles. Imagina se eu tivesse sido encarregada na semana passada de dar de comer aos coelhos todos os dias? Os coitados iam passar a semana famintos e iam acabar tentando se matar pra comer a carne do outro!!

Pra completar o início da semana, estava eu limpando as taças de vinho e champagne do hotel quando, do nada, quebro uma das taças que estava limpando. Na hora eu fiquei tão nervosa por limpar a bagunça que fiz que nem sequer percebi que havia cortado o braço. Só quando me levantei para jogar as coisas no lixo foi que vi o sangue pingando.

Corri pra pia e assim que o Salim apareceu, contei que quebrei o copo. Foi aí que ele viu o meu corte e foi direto com a madame pegar uns curativos e desinfetante. Eles foram super prestativos comigo e me fiquei feliz por isso. Na hora fiquei meio zonza, acho que sou um pouco fraca pra ver sangue. Hehe

O mais engraçado foi quando terminamos de fazer o curativo, que a madame falou: “Bom, se continuar sangrando, fazemos outro curativo antes de você ir pra casa. Depois, se sangrar de novo, cortamos seu braço! Não tem problema cortar o braço não, né?”. Ela falou isso sorrindo, brincando, claro. Aí eu respondi “Não, não, madame. Eu escrevo com a direita, então não tem problema se precisar cortar o braço esquerdo”.

Foi uma forma engraçada que ela teve de descontrair o ambiente, já que eu estava nervosa não apenas pelo corte, mas também por ter quebrado a taça.

Bueno, fora isso, só tenho mais uma coisa para contar. Sei que comentei isso aqui uma ou duas vezes, mas de leve, sem tocar realmente no assunto, mas agora vi que tenho que escrever, porque se esse blog fala sobre o que estou vivendo na França e no estágio, então tenho que comentar tudo, não apenas as coisas boas ou que não me envergonham.

Tá, depois de toda essa introdução e desse drama, eis o que tenho que falar: engordei. Isso mesmo e não engordei pouco, porque se fosse um quilinho ou outro, nem comentaria aqui. O fato de ter engordado me deixa muito triste e frustrada comigo mesma, porque não entendo como pude fazer isso comigo mesma, principalmente sabendo que já estive com 20k a mais e sei o quanto é triste engordar.

Dia 30 de agosto vou me encontrar com a mamãe em Paris e quero estar pelo menos com 61kg. Amanhã vou colocar meu peso aqui. Sei que escrever no blog vai me ajudar a ficar mais perseverante quanto à minha alimentação.

A partir de amanhã vou começar uma alimentação mais na base de frutas e só vou me pesar de novo no dia 23 de agosto, para depois me pesar no dia 30, antes de ir pra Paris e me encontrar com a mamãe.

Fora isso, vou tentar andar de bici todos os dias por 1h30 antes de ir pro trabalho. Nada de beliscar comida, nada de comer depois das 20h e, sobretudo, nada de comer derivados de animais.

Dia 30 quero estar bem bonita pra receber a mamãe do jeitinho que ela merece!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Primeira Semana no Hotel: já ganhei até gorjeta!


A primeira semana no hotel já passou e, pra variar um pouco, voando! A rotina e os horários são bem diferentes dos do restaurante, mas estou adorando essa nova experiência. Começo o trabalho todos os dias às 10h da manhã, menos nas quintas, quando começo às 9h.

Minha tarefa principal quando chego pela manhã é fazer as camas dos quartos, quando termino tudo, se sobra tempo, ajudo as meninas na parte da limpeza, passando aspirador no quarto e no banheiro e tirando também as poeiras dos rodapés.

O almoço é sempre às 14h e às 14h30 volto pra casa pra tomar um banho e voltar logo em seguida, ou seja, no máximo às 15h30 estou de volta ao hotel. Às vezes ajudo depois do almoço na limpeza dos quartos, então nem sempre o horário das 14h30 às 15h30 é realmente o da minha folga. Tem dias que termino umas 15h45, aí volto às 16h45.

As meninas foram super pacientes comigo e isso me ajudou muito. Calculei o tempo que gasto fazendo uma cama e deu 15 minutos. Nessa semana vou cronometrar, quero ver se consigo diminuir para 12 minutos, aí na outra semana diminuir para 9...

Quero poder ajudá-las ao máximo e sei que diminuindo meu tempo nas camas fará com que elas consigam terminar o trabalho mais cedo e mais rápido também.

Aconteceu uma coisa engraçada que já virou notícia não apenas no hotel, mas no restaurante também: a Magali me disse para aspirar a banheira de um dos quartos em que estávamos, mas ela quis dizer que era para aspirar ao redor da banheira. Só que, para mim, se alguém diz que é para aspirar A banheira, é para aspirar A banheira, e não AO REDOR dela.

Anyways... Peguei o aspirador, olhei praquela banheira bem limpinha e pensei: “Não... Ela não pode estar querendo que eu aspire realmente a banheira”. Então olhei pra Magali, já com a arma na mão e apontada para a vítima e perguntei: “É pra eu realmente aspirar a banheira?”.

O que posso dizer é que quando cheguei no restaurante no final do dia, lá pras 21h da noite, já tinham uns três cozinheiros que sabiam da história! Um até perguntou se eu já tava craque em aspirar banheira e o outro disse que agora eu já sabia pelo menos limpar o banheiro. Hehehe Foi engraçado... Isso vai ficar pra história, como bem disse a Magali!

Outra notícia legal foi que no meu último dia da semana, segunda-feira, quando estava colocando os chocolates nas camas dos hóspedes, um agrado a eles para quando chegarem do jantar, um deles apareceu e me perguntou se já tinha feito o quarto dele, então eu disse que sim. Ele sorriu, tirou dinheiro da carteira e disse: “Isso é pra você”.

Agradeci super feliz, foi a primeira gorjeta que recebi em mãos na minha vida! Quando ele foi embora e que finalmente olhei para o dinheiro, vi que ele tinha me deixado 20 euros! Nossa, 20 euros! YAY! Fui correndo mostrar pra Sabine, que estava fazendo o quarto Vanille, que tínhamos ganhado 20 euros de gorjeta.

Fui radiante deixar esse dinheirinho na caixinha de gorjeta dos funcionários. A minha semana realmente não tinha como terminar melhor!

Estou radiante com esse novo trabalho e cheia de expectativas. Tenho certeza de que Deus me ajudará a diminuir esse tempo nas camas que, claro, leva tempo, como as meninas já me disseram.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Feliz dia dos pais, papi!


Era pra eu ter escrito ontem sobre meu dia e, principalmente sobre uma pessoa muito especial para mim, mas acabei não usando a internet, por isso deixo para escrever hoje.

Ontem no hotel comentei com o Salim que era o dia dos pais no Brasil, pensei até em ligar para o papai, mas levando em consideração o fato de ele ter aposentado o telefone, não posso mais me comunicar com eles aos domingos, já que é o único dia que eles não trabalham (e é para o trabalho que eu ligo, já que lá a tecnologia chegou mais cedo, ou menos tarde, como preferirem hehehe).

Bueno, acredito que todas as pessoas já sabem o quanto amo minha família, o quanto sou apegada a ela e a importância que ela exerce na minha vida.

O papai é o tipo de pessoa que não mede esforços pelos filhos. Lembro que agora em junho, quando fraturei uma vértebra e mal podia trabalhar direito, ele me mandou um e-mail perguntando o que eu sentia, se não preferiria voltar para casa e fazer um tratamento, já que a vértebra fraturada só serviu para agravar um problema de nascença descoberto aqui. Ele disse que compraria as passagens sem nenhum problema e que ele estava lá para me ajudar.

No meu pai eu tenho um apoio que dificilmente uma filha encontra, um suporte e uma segurança que poucas pessoas conseguem sentir em relação à outra. A minha confiança no meu pai é tão grande que se eu tiver um problema aqui e não puder solucionar sozinha, a primeira pessoa que penso é nele, mesmo que esteja a milhas de distância.

Às vezes eu reclamava de como o papai era preocupado, de como ele vivia procurando coisa pra fazer e facilitar a minha vida, mas eu tenho certeza de que muitas pessoas gostariam de ter um pai assim, ao contrário de um que não dê a mínima para o que o filho faz, de a que horas ele chega em casa ou quais as notas dele no boletim da escola.

Morar longe me fez valorizar mais a minha família, ver o quanto eu reclamo sem motivos, perceber o quanto o meu pai é importante pra mim e o quanto eu fui abençoada por Deus em ser sua filha.

Eu sinto vergonha das vezes que gritei com o papai, das vezes que ele precisou de ajuda com o computador e eu descia impaciente para explicar como funcionava, dos momentos de orgulho quando ele falava e eu virava a cara, como se o que ele falasse já fosse muito fora de moda.

Meu pai já fez tanto por mim, mesmo eu não sendo uma das melhores filhas e fez tão pouco por ele, mesmo sendo o melhor pai do mundo... O papai não tira férias, ele mal viaja e a primeira vez que viajou para fora do país foi agora em maio, para visitar os filhos e as netinhas, ele não compra roupa cara, não muda de carro a cada ano e não faz questão de esbanjar dinheiro.

Enquanto ele poderia fazer tudo isso, viajar, trocar de carro, comprar roupas da última moda, ele pega todo esse dinheiro para me pagar a melhor escolha, a melhor faculdade, o melhor estágio, os melhores professores particulares, uma boa moradia... Ele me deixa comprar livros e viajar, fazer cursos de idiomas e aproveitar os momentos da minha vida da melhor forma possível.

No final das contas, o melhor pai do mundo faz sempre o melhor para o filho, mesmo este não agindo também como o melhor filho.

Os anos estão passando, o papai vai envelhecendo (mas tá cada vez mais gostoso, claro) e eu sinto que me distancio mais fisicamente dele. Faz tempo que não moro com meus pais, não os vejo envelhecendo, não conheço perfeitamente os problemas do dia-a-dia, o que eles enfrentam no trabalho...

Às vezes tenho medo de estar perdendo meus pais mesmo antes de realmente sermos separados nessa vida para nos encontrarmos na próxima. Às vezes tenho medo de pessoas que nem sequer são da família saberem mais sobre meus pais e o que eles passam do que eu mesma, já que estou sempre tão longe.

O que eu tenho mais medo é de no final ter me preocupado tanto em aproveitar a minha vida, fazer minhas viagens e conhecer novos lugares, que estarei familiarizada com tudo, menos com as pessoas que mais importam na minha vida.

Tudo o que eu queria dizer, era que eu amo o meu pai, o homem da minha vida, uma das pessoas mais importantes para mim.

Tudo o que sou hoje, tudo o que tenho e o conhecimento que adquiri, agradeço aos meus pais, por sempre terem colocado a mim e ao meu irmão como prioridades em suas vidas, por terem aberto mão de tantas coisas para que nós tivéssemos um futuro mais certo.

Antes disso, agradeço a Deus, por ter feito um pai tão maravilhoso quanto o meu e, ainda por cima, ter me dado a honra de poder ser a sua filha aqui na terra. Sei muito bem que se não fosse o nosso Deus, que nos guia e nos guarda sempre, não teria todas essas bênçãos.

Como já escrevi outra vez, o que me consola é saber que, mesmo se não tivermos muito tempo juntos aqui na terra, seja isso por questão de trabalho, viagem ou qualquer outro motivo, temos o mesmo Deus, somos servos, amigos e filhos do mesmo Pai Celestial e que, por isso, mesmo depois da morte, desfrutaremos toda a eternidade juntos.

Eu te amo, papi! E mal posso esperar pra descer as escadas estressada pra te explicar pela milésima vez como se salva um artigo no Word! Hehehe =D