quarta-feira, 29 de junho de 2011

FDS: Lyon e Instituto Paul Bocuse!

São 8h48 da manhã, faz 10 minutos que saiu o trem de Strasbourg para Lyon. Enquanto a Luci come o pirulito que ela comprou na Gare de Strasbourg, resolvi escrever um pouco para o blog.

Tá, enquanto eu escrevia o primeiro parágrafo, o trem simplesmente parou e um dos senhores que trabalha no trem saiu correndo pelos vagões. Não sei o que aconteceu, mas surgiu uma voz [acho que era a do motorista (é motorista que fala?)] dizendo que para a nossa segurança, o trem parou e que deveríamos esperar alguns minutos.

Ok, contanto que o trem não exploda comigo aqui dentro, tá ótimo.

Anyways, comecei a escrever para falar sobre o serviço de ontem, na verdade, e não sobre o trem. Mais uma vez, ele foi maravilhoso. Como tenho agradecido a Deus por isso! E não senti dor nos pés, ainda bem!

No almoço de ontem tivemos um banquete para 20 pessoas. Os clientes eram todos alemães e comemoravam o aniversário de uma senhora (só tinha pessoa de idade avançada lá, coisa mais fofa!). Presenciei, por sinal, uma cena linda, linda, linda!

Uma das senhoras saiu para ir ao banheiro, no seu retorno à mesa, enquanto o Jonathan (guri de 18 anos que trabalha no restaurante) já começava a puxar a cadeira para ela se sentar, o marido dela se levantou assim que a viu chegando ao salão e só se sentou quando ela sentou.

Eu adoro presenciar esses atos antigos que infelizmente já não estão mais tão presentes na nossa vida. Claro que isso varia muito de cultura para cultura, porque eu, pelo menos, nunca vi cenas como essas no Brasil; já aqui, isso acontece o tempo todo entre as pessoas mais velhas.

Tivemos 41 couverts pela manhã e 35 de noite. Terminei meu trabalho ontem à meia-noite, junto com a Marion. A Marion é uma estagiária de 18 anos, ela chegou já tá com 2 meses, mas ela passou um mês e meio fazendo estágio na cozinha e está já há duas semanas estagiando no salão do restaurante, onde ela também passará um mês e meio.

O trabalho tem sido bem mais divertido agora que ela chegou, já que é menina, então podemos conversar e comentar alguma coisa engraçada durante o serviço, sem falar que ela é super bem humorada.

Ontem nós fizemos juntas a bac à couvert, que são as “caixas” onde colocamos os talheres a serem utilizados pelos clientes. Essa foi nossa última tarefa do dia, então demos boa noite à madame e descemos para ficar conversando um pouco com o pessoal. Lá em baixo tinha um monte de gente, mais que o de costume: Gio, Carolina, Carlos, Mathieu, Stephan, Nasser, Alejandro e Armand.

Depois de conversarmos por um bom tempo, fui para o quarto, tomei um banho, porque estava simplesmente morrendo de calor (fez 38º!!! Nunca vi isso na minha cidade, Fortaleza!), organizei minhas coisas para a viagem e fiquei um pouco na internet. Fui dormir mais de 3h da matina para acordar às 5h30!

Nós tínhamos ligado para o Sr. Kosher, o taxista da área (ele é a coisa mais fofa desse mundo, uma barriga super saliente, o cabelo bem fino, um sorriso super amigável e um sotaque que, de início, é praticamente impossível de entender) para que ele nos levasse até a estação rodoviária de Niederbronn, mas não deu certo. Ainda bem que a Yoshiko se prontificou a nos levar. Isso é que é hospitalidade! Ontem, durante o almoço, ela veio me perguntar se tinha conseguido falar com o Sr. Kosher e disse que qualquer coisa, ela poderia nos levar.
Como Deus nos abençoa colocando pessoas assim na nossa vida!

Alors... Saímos do restaurante às 6h30, chegamos na Gare faltando uns 5 minutos para sair o trem, deu tempo de nos acomodarmos super bem e esperarmos a partida. Às 8h04, como previsto, estávamos em Strasbourg, onde tomamos nosso café da manhã no “Meet&Go” e viemos direto pegar o trem.

Só abrindo um parêntesis aqui, o trem voltou a andar quando eu comentei o número de couverts que tivemos na segunda-feira. Estou comentando isso agora porque o motorista, maquinista, ou seja lá o que for que conduz o trem, disse que estávamos com um atraso de 10 minutos porque o trem estava com um problema de sinalização.
Ok, parêntesis fechado.

Na tela onde mostra os portões onde cada trem vai parar, não mostrava o trem para Lyon, para o nosso desespero. Foi aí que vimos um trem que ia para Nancy no mesmo horário que iríamos para Lyon, só que não fazia muito sentido para mim, já que Nancy é em outro sentido, mas decidimos ir até lá de qualquer forma. Esse era o portão 3. Lá tinha um homem que lê os bilhetes de trem e perguntamos para ele se era esse o trem e ele disse que não, foi aí que começamos a arrancar nossos cabelos, porque já não estávamos mais com tempo de folga, já que não fomos ao portão correto.

Depois de um longo minuto, ele disse que era o portão 7. Mais uma vez eu e Luci saímos correndo pela estação feito duas loucas, como quando íamos ao restaurante pela primeira vez, em março, quando caí sobre minhas malas.

Faltando menos de 40 segundos para sair o trem, chegamos no andar onde ele estava. Corríamos com nossas mochilas desesperadas, derrubei minha carteira três vezes, ainda bem que o money não caiu, né?

O cara que verifica os bilhetes começou a apitar pra gente e o trem esperou, ainda bem. Entramos com menos de 10 segundos para sair. O trem começou a andar e eu nem tinha sentado ainda. Foi por pouco que não perdemos essa viagem.

Agora são 9h23 e eu vou dar uma descansadinha, afinal, não sou de ferro e só dormi duas horas!

Espero que esse final de semana seja ótimo! Estou ansiosíssima para conhecer o Instituto Paul Bocuse. Só pelas fotos, já dá pra ver que é lindo demais!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Texto escrito no domingo, dia 26 de junho.

***


Nossa teoria é de que o número do telefone lá de casa era o de um cabaré antigamente, já que só ligavam pedindo pra falar com mulheres. Bom, fechando o parêntesis e voltando ao assunto, hoje me programei pra ligar pros papis, mas não vai dar. Eu sempre troco os dias da semana aqui na França, porque já que minha folga é na terça e na quarta, o sábado e o domingo pra mim são como se fosse semana e não fim de semana.

Bueno, a semana tem sido maravilhosa. O que os sapatos não são capazes de fazer, hein? Eles mudam a vida de uma pessoa! Sim, eu sei que sou dramática e exagerada, mas, dessa vez, estou contando os fatos sem nenhum tipo de excesso, super imparcial. As botas realmente salvaram meu trabalho, porque agora não sinto dor nenhuma nos pés e finalmente consigo andar mais rápido!

Nossa, só em conseguir trabalhar até 1h, 2h da manhã sem sentir dor nos pés, já é uma alegria enorme para mim! Como Deus foi bondoso comigo ao me lembrar dessa bota! Obrigada, Senhor, muito obrigada!

Bom, essas últimas semanas tem sido puxadas, até porque estamos no verão, então o número de couverts aumenta, mas, graças a Deus, tudo tem ido bem no trabalho. Na quinta-feira, na mesa 4, havia duas senhoras, mãe e filha, almoçando. A senhora andava com a ajuda de uma bengala e ela precisou ir ao banheiro. O Patrick me colocou para ir com ela e eu amei! Dei minha mão para ela e conduzi-a até o banheiro, lá, esperei que ela terminasse o que tinha para fazer e acompanhei-a novamente à sua mesa.

Durante o caminho, fomos conversando e ela me disse que já tinha vindo ao restaurante outras vezes, mas que hoje (na quinta-feira), tinha sido uma surpresa que a filha dela fez pelo seu aniversário de 80 anos. Quando ela disse “80 anos”, eu quase não acreditei, porque ela é realmente muito conservada para a idade.

Ela comentou sobre a decoração do restaurante também, disse que tinha mudado e ficou dizendo como era antes. Me deu um fôlego extra pra semana poder passar esses poucos minutos com essa senhora. O jeitinho amoroso dela e o sorriso me fizeram super bem. Quando levei-a de volta, até a mesa, tanto ela quanto a filha agradeceram.

Pode parecer meio insignificante, mas isso foi importante pra mim.

Nessa semana temos feito vários banquetes, praticamente quase todo turno de trabalho tem um. Amanhã de manhã teremos outro. Hoje, por sinal, trabalhei direto, fiquei das 11h até 21h50. Quase 11h horas de trabalho!

Amanhã começo às 9h e faço mise en place com a Christelle. Falando nisso, essa semana tenho matado um bocado de bichinho com o aspirador. Já aspirei uma aranha no salão, uma formiga grande e hoje aspirei duas abelhas na sala onde ficam as mesas 20A, 21, 22, 23 e 23A. Tô virando uma verdadeira animal killer.

Bueno, amanhã já termina a semana e na terça-feira já partiremos, eu e Luci, para Lyon. Estou bem empolgada para conhecer o Instituto Paul Bocuse e as pessoas de lá. Seria bom se tivéssemos a chance de conversar com alguns estudantes, assim poderíamos ter uma idéia melhor sobre a vida estudantil.

Não sei se já comentei, mas o pessoal que trabalha no Instituto foi super gentil conosco: além de irem nos pegar na rodoviária, também nos darão hospedagem de graça no Hotel Escola do Instituto.

No mais, é isso. Bom domingo a todos e um excelente início de semana!

domingo, 26 de junho de 2011

FDS: Festa da Música!

Meus finais de semana são sempre maravilhosos! Sempre encontramos algo para fazer, mesmo ficando em Baerenthal, uma cidade super pequena, mas, ainda assim, cheia de encantos.

Já me mudei para o restaurante, como todos sabem, mas na segunda-feira fui dormir na minha casa antiga, porque lá eu consigo descansar mais, já que não tem o barulho que normalmente tem no restaurante, sem contar que no quarto onde dormi (e onde tinha me instalado antes), posso fechar a janela, impedindo que a luz solar me acorde.

Anyways, fiquei a terça todinha assistindo a seriados, depois fui fazer as compras da semana com a Carolina, a Gio e a Yoshiko. Dessa vez, nós fizemos as compras mais cedo, umas 13h, porque de noite sairíamos para a Festa da Música, em Haguenau, com a Yoshiko.

Às 19h da noite estávamos eu e Carol prontas, entrando no carro da Yoshiko para sairmos. Antes, entretanto, passamos no salão de beleza da cidade, para pegar a Christine. Ela é cabeleireira e muito amiga do pessoal do restaurante. Super simpática e sempre faz a gente morrer de rir!

Enfim, no carro, então, estávamos eu, Carol, Yoshiko, Christine e Julion, que trabalha na cozinha do restaurante, na parte dos doces. Chegando em Haguenau, encontramos o namorado da Christine, que veio direto de Strasbourg, porque é lá onde ele mora e faz seus estudos.

Andamos um pouco pela cidade e chegamos no restaurante onde a Yoshiko havia nos dito que comeríamos. Ele é especializado em tartines, que são tipo pães de forma, sendo maiores, e vem com recheios diversos em cima. Ele não é um sanduíche por não ser fechado. Eu comi uma tartine de queijo de cabra e mel. Realmente uma delícia!!

Depois de comermos, passeamos mais um pouco pelo centro, onde vários estilos de música eram cantados e, então, retornamos ao restaurante. Chegando aqui, só peguei minhas coisas e fui dormir na casa dos estagiários. A Gio tava sozinha, já que os meninos saíram para pedalar durante o fim de semana. Eu dormi na sala, enquanto assistia TV.


Fstival de Música, Haguenau!
A quarta foi também tranqüila, ficamos assistindo a seriados, utilizamos a internet e de tardezinha fui fazer uma salada de frutas para a semana. Não encontrei morango no supermercado, então coloquei só abacaxi, melão, maçã verde e pêssego (e suco de laranja).

De noite ainda ficamos nós quatro (as brasileiras e a mexicana) conversando bem muito sobre nossos países e, para terminar o dia, ainda comi um cheese cake maravilhoso feito pela Yoshiko!

Que Deus continue abençoando meus dias aqui na França como Ele tem feito até hoje!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dois aniversariantes completamente diferentes.

A gente tem feito muito banquete no restaurante esses últimos dias. Praticamente todo dia tem um. Já fizemos banquete para 50 pessoas, 30 e 22, algumas vezes, para um número mais reduzido.

Além dos banquetes, recebemos também muitas pessoas importantes, como o embaixador da Turquia, por exemplo, que veio jantar aqui na semana passada.

Quase sempre – para não dizer sempre – temos algum cliente comemorando aniversário.

Sempre tem cenas, momentos, que nos chamam mais atenção, como uma vez (já faz um bom tempo) que veio uma família americana e sentou à mesa 27. Na verdade, era o pai e três filhos, e eles fizeram uma prece antes da refeição. É difícil ver algo assim esses dias. Nem preciso dizer que meus olhos se encheram de lágrimas, né? Aqui estou mais emotiva que o normal!

O motivo desse texto, entretanto, não é a família americana sobre a qual comentei no parágrafo anterior, até porque isso já aconteceu faz tempo.

Comecei a escrever devido a um serviço que participei faz uma semana, na segunda-feira do dia 13 de junho. Cheguei até a comentar sobre isso com a Luci na terça-feira, no trem, quando estávamos indo a Strasbourg.

Havia três mesas comemorando aniversário, a 20A, a 22 e a 24. A 20A e a 22 eram da mesma família e formavam 14 pessoas ao todo, já a 24, era apenas uma pessoa. Isso mesmo, uma.

A aniversariante das mesas 20A e 22 era uma senhora, devia ter seus 70 anos, ela estava rodeada por toda a família e super feliz. O aniversariante da mesa 24 era um senhor, também nos seus 70 anos, com um bigode enorme, bem no estilo francês, daqueles que você pensa que só vê em desenho animado (o bigode fazia uma curvinha nas extremidades e tudo). Esse senhor estava sozinho, não sei nada sobre ele, se tem família ou não, mas sei que esse jantar, ele fez sozinho assim como também comemorou sozinho o seu aniversário.

Se eu dissesse que ele estava triste, seria mentira da minha parte, até porque ele parecia bem animado. Até o final da refeição dos dois aniversariantes, eu não estava tão focada neles, apesar de observá-los muito, mas foi quando chegaram ao fim, quando ambos receberam a plaqueta de aniversário, praticamente no mesmo tempo, que fiquei pensando sobre minha vida.

O senhor segurou a plaqueta dele e pediu para que alguém tirasse uma foto dele com ela. Isso me chamou atenção, quando ele revelar a foto, será só ele e uma plaqueta. Quando for a senhora revelando a foto, a plaqueta nem vai chamar tanta atenção, porque na foto ela está rodeada de gente.

Eu não julgo o fato de o senhor estar sozinho, até porque cada pessoa tem seu modo de viver a vida, enquanto uns preferem viver sem ninguém ao lado, sem família, outros se vêem mais felizes se tiverem pessoas ao seu redor. E não é porque alguém não tem família que também não terá amigos.

Fiquei pensando sobre o que tenho posto como prioridade na minha vida, se tudo o que planejo é realmente o que quero, se no final, quando já estiver idosa, poderei dizer que não me arrependo de nada do que fiz.

Algumas vezes fico pensando que se tomar certas opções, posso acabar ficando como esse senhor, comemorando meu aniversário de 70 anos sozinha, e me pergunto até que ponto seria feliz vivendo assim.

Eu já quis trabalhar pra ganhar muito dinheiro, agora quero trabalhar pra ganhar bem, bem o suficiente para poder viajar, aproveitar minha família e ter uma velhice segura. Hoje já não faço questão de ganhar rios de dinheiro, se sei que não vou poder aproveitá-lo da forma que gostaria, já que, para isso, terei que trabalhar 24 horas do dia, sete vezes por semana.

Já não quis ter filhos e pensei até em não casar, agora eu vejo tudo diferente. Não sei como será meu futuro, mas já coloquei nas mãos de Deus e sei que independente das minhas escolhas, sei que Ele estará comigo. E se um dia tiver que comemorar meu aniversário apenas com uma plaqueta, o fato de saber que Deus está ali ao meu lado será motivo suficiente para me considerar a pessoa mais feliz e agraciada do mundo. 

terça-feira, 21 de junho de 2011

E as "rangers" salvaram a semana!

“E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.” João 8:29

Mais uma semana de trabalho passou. Uma ótima semana de trabalho! Meus pés estavam me preocupando muito na semana passada, porque eles doíam e eu já não conseguia andar tão rápido como antes e isso me deixava muito frustrada. Quando a gente trabalha mal e começa a fazer tudo direito, é maravilhoso, mas quando acontece o contrário, é algo realmente irritante! E eu sentia que estava começando a desacelerar no trabalho.

Bueno, no post passado comentei sobre a sandália que comprei pra trabalhar. Não deu certo. Eu não sei se chorei mais pela dor nos meus pés que, dessa vez, não era apenas no solado, mas também nos dedos e no calcanhar, devido aos calos; ou se chorava mais por ter gasto 120 euros nos calçados!

As "rangers"
Fiquei sem saber o que fazer, tudo o que sabia era que teria que voltar para as sandálias antigas, mas foi aí que me acendeu uma luzinha e lembrei da minha bota que comprei em Canela. Ela é super confortável, só não é aquela coisa que a gente olha e diz “nossa, que calçado lindo!”, mas tudo bem, c’est la vie! Antes meu trabalho que a estética, correto?

Enfim, utilizei a bota durante toda a semana eu não senti dor nos pés em momento algum! Ontem trabalhei direto, sem pausa nem nada, das 11h até antes das 23h e poderia ter ficado até mais tempo!

Por sinal, falando sobre o dia ontem, eu fiquei direto pra ajudar a Christelle na mise en place. Pra quem não sabe, a mise en place ocorre depois que todos os clientes saem do almoço e nós começamos a arrumar todo o salão: trocar toalhas de mesa, passar o ferro, aspirador, dobrar guardanapos, subir e descer cadeiras (quando necessário), dentre outras coisas.

Foi um tempo maravilhoso! Fazia séculos que não participava de uma mise en place de tarde com a Christelle. Ela até me disse que estava contente por fazê-la comigo! Fiquei super feliz em escutar isso.

Agora, sinceramente, fiquei impressionada com o fato de não estar cansada na mise en place, depois de todo o serviço do turno da manhã. É maravilhoso poder sentir a ajuda de Deus, o suporte que Ele me dá, porque tenho certeza de que essa energia não veio de mim, mas de Deus, que está sempre me levando nos seus braços.

Às vezes eu me pergunto como Deus pode ser tão bondoso comigo, porque eu sei que não mereço. E aí eu penso em como Ele é misericordioso e paciente comigo e eu, muitas vezes, não ajo assim com as outras pessoas, mesmo sabendo que é minha obrigação ser paciente, não me irar, não me estressar. Que Deus me ajude a ser como Ele, para que as pessoas vejam a Sua luz brilhar em mim.

Todas as noites eu fico agradecendo a Deus por Ele ter me lembrado das minhas botas, por Ele ter me feito agüentar firme no trabalho quando usei a sandália nova e por saber que Ele nunca me abandona. Nunca!

Como é maravilhoso ir ao trabalho sem me sentir sozinha, como é maravilhoso ir dormir e me sentir abraçada, acolhida, mesmo estando somente eu na minha cama. Obrigada, Senhor, pela tua presença na minha vida, pela tua companhia, por não me deixar só e por cuidar sempre de mim!

“Quem é este Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.” Salmos 24:10

Ah, antes que eu esqueça, as minhas botas receberam um apelido carinhoso do Patrick e do Nasser: rangers. Eu sempre morro de rir quando eles olham pras minhas botas (agora é mais o Nasser que faz isso) e comenta que estou de “rangers”. Na primeira vez que as utilizei, eles fizeram hora perguntando se eu tinha comprado quando estava na marinha. Haha 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Findi em Stras!

Passei um final de semana maravilhoso em Strasbourg! Sim, dessa vez finalmente ficamos dois dias. Passamos a noite no Hotel Bruxelas, que fica no centro da cidade e perto da rodoviária. A localização era ótima!

Bom, mas antes de viajar, fiz minha mudança. Isso mesmo, mudei-me de novo. Precisei voltar ao restaurante porque vai chegar um estagiário e já não tem mais quartos masculinos para ele ficar, então ele vai dormir no meu quarto lá na casa, já que é individual; enquanto eu volto a dormir aqui no mesmo quartinho que antes.

Agora estamos eu, Luci e Carolina. Ainda não consegui organizar todas as coisas, até porque três meninas num quarto é bem complicado, mas conseguirei otimizar o espaço que tenho durante essa semana!

Alors... Na terça-feira, bem de manhãzinha, já trouxe todas as minhas coisas pro restaurante. A Carol já tava acordada e a Luci tava dormindo, mas ela acordou logo. Falei pra ela o horário que viajaríamos (12h29), mas ela ainda não tinha certeza se iria ou não.

Quando voltei pra minha casa – ainda considero a casa ontem tenho o quartinho só pra mim como minha! –, ligamos para o taxista, o Monsieur Kosher e perguntamos se ele poderia nos levar até a rodoviária. Quem acabou vindo nos pegar foi o cunhado dele, mas na volta foi o Monsieur Kosher quem nos trouxe ao hotel.

Chegando em Strasbourg, a primeira coisa que fizemos foi procurar um hotel e deixarmos nossas coisas. Depois de andar um quarteirão, demos de cara com o Hotel Bruxelas. Ele é bem simples, mas valia a pena, já que ficaríamos apenas uma noite e não precisamos de uma cama king size para dormir!

Às vezes, quando estou passeando aqui pela Europa, me sinto dentro de um filme. Toda essa arquitetura linda, as pessoas comendo na rua, os senhores de terno e andando de bicicleta... Até mesmo o hotel onde nos hospedamos, tudo parece cenário de filme! Ai, como eu amo poder viajar por aqui e desfrutar do meu final de semana de forma bem européia!

Bueno, fomos escolher qual filme assistir, e decidimos ver um com o Sean Penn e o Brad Pitt. Não lembro bem o nome do filme agora, mas ele já ganhou prêmio. Anyways, é legalzinho o filme, mas não é algo que eu assistiria de novo. Ele começou às 16h30, mas como chegamos às 14h, fomos almoçar antes. Eu comi um subway, a Gio uma baguete, a Luci uma torta de queijos e o Alejandro comeu umas batatas com queijo, especialidade alsaciana. Ele deixou a gente provar e é uma delícia!

O filme era bem longo e saímos do cinema quase às 19h. Andamos um pouco pela cidade, passeamos pelas lojas, mas tudo já estava fechando. O shopping de lá fica aberto só até 20h! Quando lembro que em Fortaleza dá pra gente ficar até 22h...

Quando ficou mais tarde, paramos para comer de novo. Tomei um café, porque ainda estava cheia, a Gio também. Ficamos nós quatro conversando por muito tempo, foi maravilhoso! Chegamos no hotel um pouco tarde e fomos direto pra cama!

No outro dia, como de costume, acordei às 6h... Ninguém merece! Bom, tomei logo meu banho e como todos estavam dormindo, fui até a estação de trem e comprei sudoku pra ficar fazendo enquanto os outros não acordavam.

Saímos do hotel às 10h e decidimos tomar café-da-manhã no Mercury. Ai, que delícia! É o tipo do Buffet que tu se alimenta tão bem que só vai sentir fome de noite!

No restante do dia ficamos passeando pelas lojas, eu fui atrás de uma sandália para usar durante o trabalho, porque meus pés estão ficando doídos e eu acabo não andando muito rápido. Mas parece que não tem jeito mesmo, porque ontem usei no serviço e senti muita dor. Talvez tenha sido porque fiz fermeture, aí fiquei das 18h30 até 2h com essa sandália.

Ai, Senhor, que eu consiga melhorar desses pés e faça sempre um bom serviço! É tudo o que eu peço!

Quando deu umas 15h, paramos para tomar alguma coisa. A Gio comeu uma baguete e o Alejandro comeu uma carne crua com ovos (crus), ketshup e outros condimentos lá... Fiquei impressionada, porque nunca vi um prato desses! Imagina só... Comer carne crua! Bati até foto!

Depois de um tempo lá, bebendo, comendo e conversando, andamos um pouco pela praça e, em seguida, fizemos nossas compras pra semana. As compras da semana sempre significam “fim do dia”, “voltar para casa”. Logo, pegamos o caminho para a rodoviária.

Compramos nossas passagens de volta e aproveitamos também para comprar o tíquete para Lyon, já que eu e Luci iremos no dia 28 de junho conhecer o Instituto Paul Bocuse.
Passeando pela praça!
 Chegamos em casa às 20h, arrumei minhas coisas, passei as fotos para o computador e fiquei mais uma boa parte da noite lá na cozinha do restaurante, conversando com a Yoshiko, o Jan, Mathieu, Alejandro... Momento maravilhoso! Não teria forma melhor de terminar o meu final de semana!

Como eu agradeço a Deus pelas pessoas que Ele colocou na minha vida, por Ele nunca me abandonar, por Ele sempre me lembrar que não estou sozinha. Às vezes eu oro à noite e peço pra que Ele me dê força, porque tem momentos que parece que tudo vai desmoronar, meus pés doem, a saudade da família aumenta...

Que Deus continue me abençoando e me auxiliando durante o serviço. Obrigada, meu Deus, por estar sempre ao meu lado!

Fim do dia, voltando para casa!

sábado, 11 de junho de 2011

Serviços de ontem e hoje!

Serviço do dia 10 de junho (noite).

18h30 já estava lá no salão do restaurante e fui direto procurar a Christelle para saber o que ainda faltava terminar na mise en place da sala, mas tudo já estava feito.

Eu a encontrei no salão do restaurante com o Serge e o Jonathan. Eles três estavam vendo umas fotos antigas do Serge que foram enviadas a ele por um amigo. O Serge é italiano e só de olhar pra ele já dá pra perceber!

Fiquei impressionada com as fotos dele, porque parecia um artista. Logo ele tem o charme que todo italiano tem, né? Aquele cabelo grande e volumoso, nariz mais em evidência, sem ser todo afinadinho...

Bueno, depois que todo mundo terminou de ver as fotos do Serge, fomos jantar para depois ficarmos a postos para receber os clientes, que demoraram um pouquinho pra chegar ontem.

Eram mais 19h30 e ainda não tinham chegado, mas o interessante é que acabou relativamente cedo o serviço. Não sei dizer a que horas foi a fermeture, porque trabalhei até meia noite e quinze, mas até lá, quando ainda trabalhava, só tinham mais duas mesas para serem atendidas.

Os clientes comeram bem rápido! Se bem que também teve um monte de menu à la carte. Deve ter sido por isso também, porque o à la carte sempre é mais rápido que o menu découverte ou saveur.

Ontem levei um Saint-Pierre para a mesa 9A pra ser apresentado. O Patrick, quando vai apresentar esse peixe, de vez em quando me apresenta primeiro, dizendo que quem traz o Saint-Pierre é uma estagiária brasileira. Hehe Eu gosto disso, é bem legal, porque a maioria dos clientes sempre acaba sorrindo e falando alguma coisa.

Nessa mesa onde levei o peixe tinha um casal, um casal bem apaixonado, por sinal! E a mulher foi bem simpática comigo, até piscou o olho pra mim quando o Patrick me apresentou! Talvez esse tipo de gesto não fosse tão esperado por mim se estivesse na minha casa, desfrutando do carinho da família... Mas como estou distante, qualquer ato de simpatia é bem vindo!

Bueno, depois que me liberaram do trabalho, fui ao quarto da Luci e da Carol. Elas ainda estavam acordadas e o Carlos também tava lá pra usar a internet. A Gio estava do lado de fora (devido à internet). Eu cheguei bem cansada e esperava vir aqui só me trocar e ir direto pra casa, mas acabei passando um bom tempo conversando com os meninos e demos boas gargalhadas juntos!

Aproveitei pra combinar com a Luci o horário que iríamos viajar para Lyon, que será às 7h07 do dia 28 de junho, saindo de Niederbronn e chegando lá às 13h16. A viagem vai ser bem puxada, serão seis horas para ir e mais seis para voltar, mas vai valer a pena. Nós duas estamos super empolgadas e nada como bons livros para fazer essas horas no trem passarem rápido!

Alors... Cheguei na minha casinha mais de 1h da matina e fui dormir às 1h45! Ainda bem que o serviço de sábado começava só às 11h pra mim!

***** 

Serviço do dia 11 de junho (manhã)

Acordei antes das 8h hoje, mesmo tendo ido dormir quase 2h. Fiz meu devocional, coloquei meu uniforme de trabalho e comecei a ler meu livro sobre queijos. Quando deu mais ou menos 10h30 coloquei as coisas em ordem e fui pro restaurante, já que 11h começava o trabalho.

Assim que desci pro salão, me encontrei com a Christelle e perguntei o que poderia fazer. Varri a nossa “office” e depois ajudei o pessoal na cozinha a colar uns adesivos em alguns potes de comida.

Adivinha para que eram esses potes? Alguns clientes queriam aproveitar o sol, então resolveram fazer um picnic. Levaram todo o almoço em umas mochilas térmicas próprias para picnic, até garrafa de champagne e taças foram levadas!

Imagina que coisa chique, levar almoço de um restaurante três estrelas no Guia Michelin para um picnic!

Depois disso, almoçamos e ficamos esperando os clientes chegarem. Ao contrário de ontem, eles chegaram rápido, pelo menos a grande maioria. Como foram 60 couverts, o tempo passou super rápido, terminei o trabalho às 16h30.

Em uma das mesas (a 20A), almoçou um rapaz que trabalhou na cozinha do restaurante, o Alex. Ele veio com a família dele. Como queria poder trazer meus pais e meus irmãos para almoçar aqui também! Toda vez que vejo as sobremesas, lembro da minha mãe e da minha irmã. Tenho certeza de que elas iriam amar!

Graças a Deus o serviço foi maravilhoso. É muito bom ter a confiança de que não estou só durante o trabalho, porque Deus está comigo. Que Ele continue me ajudando a não fazer nenhuma besteira no trabalho, que eu consiga ser ágil e atenta e não leve carão de ninguém.

Conto com as orações de todo mundo!! Que o segundo turno do trabalho hoje seja excelente! É tudo o que eu peço a Deus.